terça-feira, 11 de setembro de 2012

Entrevista do prof. Saraiva para o jornal "A Tribuna"





A TRIBUNA – O que motivou o senhor a concorrer ao cargo de prefeito em Maricá?

PROFESSOR SARAIVA – "A nossa filosofia de ação diverge do tradicional. E nós precisamos de um novo paradigma de administração pública, com os seguintes pressupostos: gestão administrativa e financeira eficaz, orientação política direcionada para o interesse da sociedade, pautada na ética, na dignidade, na decência e na moralidade, com justiça social e participação cidadã. Nós temos preocupação com cada centavo que a administração pública arrecada. Vamos ter uma vigilância permanente para evitar a corrupção e vamos querer a participação das entidades organizadas, para evitar uma coisa que a gente observa muito em Maricá. Os vereadores não se entendem como representantes da sociedade e sim como substitutos e se a gente não tiver entidades organizadas que dêem um respaldo junto à sociedade para se ter uma administração ética, pois se envolvem grandes interesses, você vai padecer das negociatas que eles vão te propor. E vamos governar das ruas. Não vamos aceitar nenhuma atitute da Câmara que desvie a gestão da sua ativitade ou da própria gestão legislativa. Isso ocorre porque os interesses são convergentes e essa é a minha preocupação com recurso público é fundamental e isso se combate no dia a dia, com o respaldo ancorado nas entidades organizadas da sociedade civil. Além disso, irei governar a cidade sem vencimentos."


AT – O senhor irá abdicar do salário de prefeito, caso eleito?

PS – "Exatamente. Sou professor da Uerj, tenho vencimentos e um fundo de previdência. Não preciso do salário de prefeito. Firmei um compromisso em cartório no último dia 31 de agosto, no 1º Serviço Notorial de Maricá, onde assumi compromisso público em caso de eleição, de abdicar do salário que eu faria jus. Isso autoriza qualquer cidadão a pedir minha cassação, caso em receba qualquer centavo do município." 



AT – A cidade cresceu muito . Nos últimos dois anos, um aumento de 5,6% da população. Nos últimos dez anos, dobrou a população. A cidade se preparou para esse crescimento?

PS "Maricá não está preparada com o que tem. Tem a perspectiva de crescimento ainda maior com o surgimento do Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj). Temos que tratar de diversos assuntos. Primeiro, esse ordenamento, que passa pelo saneamento básico, pela educação, saúde, mobilidade urbana, tratamento dos resíduos sólidos. Temos um desenvolvimento desordenado e pretendo reorganizara cidade para colocá-la no eixo do crescimento."
 

AT – Uma das reivindicações da população é a criação de um batalhão independente da Polícia Militar, que recebe ajuda do 12º BPM, de Niterói. Como anda a segurança pública de Maricá? O que fazer para melhorar?

PS – "O batalhão seria uma necessidade, mas a quantidade de moradores da cidade, abaixo de 200 mil habitantes, é uma dificuldade para se trazer, pois é o mínimo necessário para se instalar um batalhão. Mas nós temos uns locais de acesso ao município e poderiámos instalar pórticos de segurança nas entradas principais da cidade. E tem a necessidade de aumentar o contigente de policiais na cidade, dado seu crescimento populacional e sua extensão demográfica. Quando eu fui para Maricá, foi por dois motivos: a violência e o trânsito do Rio. Hoje a cidade está tendo os mesmos problemas. A cidade está inserida na rota do tráfico, principalmente com a migração dos bandidos que estão saindo do Rio por causa das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPP). Então, temos de estar preparados e colocar em prática nossos planos de segurança, para deixar os moradores mais seguros."
 

AT – Um dos principais problemas de Maricá está na saúde pública. Há somente um hospital e poucos postos em atividade. O que fazer para reestruturar a saúde do município?
 
PS – "A saúde é a desgraça das desgraças dessa administração. A gente tem o projeto de criação de um hospital de excelência. Temos projetos para também remodelar e equipar o hospital, ter os postos de saúde funcionando até 22 horas, salvo locais de maior demanda que sabemos da necessidade de ficar 24 horas, como Itaipuaçu. Também temos como fundamental o Programa Médico de Família e o atendimento médico e hospitalar nas escolas, com equipes volantes de médicos, dentistas e enfermeiras, pois a prevenção sai muito mais barato que tratar das doenças já diagnosticadas. E para isso teremos de solucionar o problema do saneamento básico, que ajudaria também na prevenção de doenças. Uma coisa puxa a outra. Pretendemos também construir um laboratório municipal e uma unidade de radiologia clínica. Outra preocupação sanitária são os animais de rua. Temos uma quantidade enorme de cães atropelados, principalmente na Rodovia Amaral Peixoto. Tivemos uma conversa com um casal que realiza trabalhos específicos com animais abandonados e a gente quer incorporar esse trabalho dentro de nossa gestão. Vamos ajudar na castração, recolhimento, projetos de adoção de cães e gatos. E isso interfere também na saúde pública, pois há doenças causada por animais, pequenas zoonoses, e esse trabalho também entra na prevenção de doenças. Outra questão é a saúde do idoso. Vamos oferecer aos idosos atividades que potencializem suas capacidades físicas e intelectuais. Vamos criar um espaço, longe de ser em céu aberto, pois não adianta fazer exercícios e respirar monóxido de carbono."
 
 
AT – Outra deficiência da cidade é a cultura. Não há cinema ou teatro e há poucas manifestações culturais. O que o senhor pretende fazer para revitalizar a cultura de Maricá?
 
PS – "O pouco que Maricá tinha acabou. Já teve cinema, já teve atividades de artes plásticas, escolas de samba. Além das atividades que desejamos desenvolver nas escolas, desejo criar oficinas de teatro, feira do livro, festivais de poesias, de contos. Incentivar o que já está acontecendo, que é uma marca da cidade, que é o festival de voz e violão. Estimular e apoiar o evento Espraiado de Portas Abertas, que ocorre trimestralmente. Apoiar o artesanato e dar uma identidade para cidade e para isso é fundamental que a atividade cultural ande junto com a cidade. Paraty tem festivais, outras cidades menores também e temos totais condições de fazer algo pela cidade. E como mencionei sobre a saúde, o centro que pretendemos criar para os idosos, não irá agregar somente a prática de exercícios físicos. Atividades culturais serão desenvolvidas."


AT – As Olimpíadas estão chegando e muitas cidades estão começando a desenvolver projetos sócio-esportivos, com a finalidade de produzir atletas, de formar cidadãos. Quais os projetos o senhor deseja fazer para a prática desportiva de Maricá?
 
PS – "O esporte, na nossa concepção, assim como a cultura, faz parte do nosso conceito de cidadania. Temos de incentivar e até subsidiar a criação de centros de treinamento para esportes coletivos e para atividades de atletismo. E é sabido que o resultado é satisfatório se for feito na base da pirâmide, quando a criança começa a desenvolver seus primeiros passos no esporte. Independente das Olimpíadas, é um projeto que desejo fazer permanente na cidade. Projetos desse porte auxilia a garotada a afastar do ócio e sabemos que o ócio é o playgrond do diado."
 

AT – A cultura e o esporte, direta ou indiretamente, pode ser atrelada à educação. Como está a educação no município e o que o senhor planeja para o setor, caso eleito?

PS – "Além do deficit de escolas que temos, há uma coisa que acho fundamental. É a relação respeitosa entre o governo e a entidade que representa os professores no município. Além disso, integrar a comunidade às atividades acadêmicas. E queremos que outras atividades sejam incorporadas, como questões que envolvem meio ambiente, cidadania. Isso incorporado, ajudará na formação do caráter do ser humano desde os primeiros anos de sua vida. Também desenvolver palestras sobre drogas e suas consequências, educação sexual, por causa da disseminação de doenças sexualmente transmissíveis. São conhecimentos que agregam. Temos de realocar mais de 10 mil alunos fora das escolas. Iremos fazer um censo para ver quanto cada escola pode absorver, para depois construirmos novas escolas e creches. E uma preocupação nossa é a qualidade da alimentação escolar. São gastos R$ 0,27 por criança. Queremos reduzir gradativamente a ação de terceirizados. Que os alimentos possam ser produzidos no município, para estimular a queda dos valores gastos com essas merendas. Vamos criar ensino integral na cidade, com café da manhã, almoço e lanche. Vamos usar um material usado nas escolas de Volta Redonda, chamada farinha multimistura, que reduziu mortalidade infantil em 80%.(N.R: em Volta Redonda, foi projeto de lei do vereador Edson Carlos Quinto e a farinha consiste em farelos, sementes, folhas e cascas de cereais, legumes e verduras). Isso seria um ótimo complemento. Além disso, aproveitaríamos para servir parte da pesca realizada na cidade."
 

AT – Maricá é uma cidade de belezas naturais, mas não tem um turismo efetivo. Como fazer a cidade entrar na rota do turismo da região dos lagos?
 
PS – "Hoje a cidade é apenas passagem. As pessoas passam pela Rodovia Amaral Peixoto direto. Eu vinculo o turismo às atividades culturais, conforme disse antes. Criando festivais, movimentos culturais, muita gente irá vir para cidade. Além disso, temos que revitalizar a orla no período noturno, onde não há muitas opções de diversão. E temos, principalmente, transformar alguns trechos do mar em praia, pois temos o mar muito violento, ondas muito fortes. Iremos colocar as pirâmides de pneus, que são recifes artificiais, que teriam possibilidade de quebrar a força das ondas e ainda aumentaria a pesca na região. Temos possibilidade de realizar turismo ecológico, com diversas áreas de belezas naturais, para a prática de caminhadas."


AT – Com todo esse crescimento habitacional, a cidade carece de transporte de melhor qualidade. O que a cidade tem de melhorar para que o cidadão possa ter melhor mobilidade?
 
PS – "A questão intermunicipal, que é do Estado, podemos pedir, intervir, para que possamos colocar novas linhas. No âmbito municipal, o problema de ação de poder público é a condição precária das nossas vias de acesso, das nossas ruas. Isso é um fator que diminui o interesse do empresário em explorar a região. Sem contar que o preço da passagem está atrelado também às condições físicas que as estradas apresentam, pelo desgaste da frota. Com a melhoria, podemos dialogar com o empresariado. E temos de incentivar o transporte alternativo. Temos distritos que o ônibus passa a cada quatro horas."


AT – Aproveitando sua citação sobre urbanização das vias de acesso, quais seus planos para saneamento e urbanização da cidade?

PS – "Eu encaro como prioritário para a cidade um plano urbanístico e de saneamento, até porque se não fizermos isso, teremos gastos duplicados no futuro. Quero fazer convênio com a Cedae (Companhia de Agua e Esgoto do Rio de Janeiro) e a Ampla, para usar parte do esgoto da cidade ser transformado em energia. A outra parte não usada, termos estações de tratamento. A parte de mobilidade não se resume só de transporte. Maricá não tem calçamento. Vamos fazer calçadas nas ruas, dar acessibilidade à cadeirantes. Em Maricá, 90% das pessoas andam pelas ruas, já que não tem calçadas. Isso eu falo só do Centro da cidade, imagina os demais distritos. A cidade tem 362 quilômetros quadrados. Se imaginarmos que talvez 1% tenha calçamento, a nossa demanda será imensa. Vamos estabelecer através com essas entidades quais as demandas e prioridades. Mas é muita coisa. Só andando por aquela cidade para sabermos às necessidades que o povo sente. Se formos analisar, tudo está agregado. Esporte, saúde, cultura necessitam de urbanismo, mobilidade, saneamento. A grande verdade é a cidade precisa, de fato, de um plano gestor para atacar cada deficiência e fazer Maricá crescer como um todo, não de forma capenga."


Fonte: Jornal A Tribuna

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